Café do Jacu: como funciona a produção de um dos cafés mais raros do Brasil

Por dentro de um dos cafés mais raros do Brasil: guia completo dos cafés especiais capixabas

A Fazenda Camocim, localizada na região montanhosa do Espírito Santo, oferece uma experiência que vai muito além de simplesmente provar café. A visita revela, na prática, a complexidade por trás de uma produção que combina tradição, inovação e respeito ao meio ambiente. O mais interessante é conhecer o processo de fabricação do Café do Jacú, no qual eles são pioneiros, no Brasil e, consequentemente, no mundo.

Logo no início, fica claro que o café não é um produto simples: são mais de 50 processos envolvidos até que o grão chegue à xícara. E isso começa ainda no campo.

A fazenda trabalha exclusivamente com café arábica, considerado mais delicado e aromático. No Brasil, também existem outras variedades importantes, como o robusta e o conilon — sendo o Espírito Santo, inclusive, o maior produtor nacional deste último. No mundo, o café da fazenda Camocim é distribuído para cerca de 26 países, especialmente quando falamos de cafés especiais.

Um dos grandes diferenciais da Camocim com o café do Jacu está no sistema de produção: a agricultura orgânica em agrofloresta. Isso significa que o café é cultivado junto a outras árvores e espécies, criando um ambiente mais equilibrado e próximo do natural. Esse sistema auxilia tanto na qualidade do solo quanto no controle de pragas — como a cigarrinha, que ataca a raiz, e a broca, que compromete o grão. Até as vespas fazem parte desse ecossistema, interagindo diretamente com a lavoura.

Jacu é uma ave silvestre da região, monitorada por controle ambiental, que se alimenta apenas dos melhores frutos do café. Ou seja, ele faz uma seleção natural extremamente rigorosa. E, junto aos melhores grãos, ele ainda se alimenta de frutas que ajudam nesse processo único na hora de produzir o café.

Após a digestão, os grãos são coletados manualmente. Diferentemente de outros processos, eles não podem ser lavados, para não comprometer suas características. A produção é extremamente limitada: cerca de 1.500 kg por ano, dos quais menos de 5% permanece no Brasil — o restante é exportado, geralmente ainda como grão cru.

O processamento segue etapas cuidadosas e, em muitos casos, tradicionais. A fazenda ainda utiliza máquinas da década de 1950, que realizam funções como:

Separação por tamanho, com peneiras, garantindo padronização; retirada de impurezas; classificação por densidade, utilizando fluxo de ar; e seleção por cor, eliminando grãos defeituosos (como pretos ou brancos).

Esse rigor no beneficiamento impacta diretamente a qualidade final do café.

Durante a visita, também é possível entender melhor algumas variações do produto, como o café mocca — conhecido por seu perfil mais encorpado e notas que remetem ao chocolate. Apesar da diferença sensorial, ele não provém de uma torra diferente, mas sim do formato e da característica do grão.

A maior parte da produção da fazenda é destinada ao mercado internacional: cerca de 90% é exportada. Para o consumidor final no Brasil, o café do jacu é vendido em quantidades pequenas, geralmente a partir de 50 g, reforçando seu caráter raro e exclusivo. E o valor é carinho, coisa de R$200 a R$400, dependendo do tamanho da embalagem.

No fim, visitar a Fazenda Camocim é entender que o café vai muito além do que estamos acostumados no dia a dia. É um produto agrícola complexo, sensível e cheio de camadas, que envolve natureza, técnica, tempo e, principalmente, escolha.

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E talvez seja exatamente isso que torna a experiência tão marcante: você não sai apenas com um café na mão, mas com uma nova forma de enxergar tudo o que existe por trás dele. A visita a Fazenda Camocim precisa ser agendada e é guiada. Mais informações: https://www.camocimorganic.com/

E quanto custa provar o café do Jacu?

Por se tratar de uma produção extremamente limitada e artesanal, o café do Jacu está entre os cafés mais exclusivos do Brasil. Os valores costumam variar entre R$200 e R$400, dependendo do tamanho da embalagem e da safra disponível. A maior parte da produção é exportada, o que faz com que apenas pequenas quantidades permaneçam disponíveis no mercado brasileiro.

O blog e site Viagens e Rotas viajou para o Espírito Santo a convite do Sebrae/ES, durante o período de realização do Salão Capixaba de Turismo, uma realização da Cooptures, em correalização com o Sebrae/ES e a Secretaria de Estado do Turismo, com apoio do Contures e da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-ES. Só indicamos o que aprovamos!

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